Medos indicadores de crenças limitadoras!

Uma longa trajetória na possessividade gerou na nossa mente o reflexo do apego e crenças ilusórias de grandeza e importância pessoal. Em decorrência dessa caminhada milenar, quando nos dispomos a realizar uma transformação moral a luz do espiritismo e do Evangelho do Cristo, deparamo-nós, inevitavelmente, com os efeitos dessa programação mental em forma de hábitos muito enraizados no automatismo dos sentimentos e dos pensamentos.

Sair desse patamar interno de acreditar sermos maior do que realmente somos e ter de assumir nossa verdadeira estatura espiritual pode tornar-se uma travessia de dores e conflitos amargos. Esse desapego de valores que já não nos protegem mais das ameaças de nossa sombra interior solicita cuidados fundamentais e acolhimento amoroso com nossas necessidades de melhoria, a fim de não se instalarem o desgosto e a perturbação.

Crenças são como pilares na vida mental. São vigas que, quando abaladas, podem desequilibrar todo o edifício do pensamento, da vontade e do sentimento. Portanto, quaisquer operações a serem realizadas nesses pilares exigem perícia e orientação terapêutica quando se objetiva o resgate da saúde.

O desapego às nossas convicções pode ser comparado à delicada cirurgia na intimidade da alma e traz como principal consequência o medo. Sobretudo, o medo de perder quem achávamos que éramos, de perder personalidades ilusórias repletas de verdades falsas sobre a vida e sobre o viver. Essa perda faz aflorar a dor angustiosa da indefinição, gerando insegurança, desanimo e mau humor, que podem alcançar o nível de um quadro exaustivo de estresse, ansiedade, pânico e desespero silencioso a caminho da depressão.
Sob uma perspectiva transpessoal, o medo é um excelente indicador de que existe algo a ser descoberto, enfrentado e transformado em nós. É um sentimento mobilizador cuja função no cosmo emocional é proteger e também instigar atitudes diante de pressões ou ameaças.

Sendo o medo uma reação natural e necessária, aquilo que fazemos com ele é que pode se tornar um problema. Quando optamos pela reorientação daquilo que temos como real, há uma perda temporária de referências que os ofereciam a sensação de segurança e bem-estar, e agora, na formação de outros valores, o medo nos previne contra os mecanismos sutis da leviandade diante da construção de novos princípios e valores que vão gerenciar as novas formas de pensar e viver.

Entre as certezas que mais necessitam de reciclagem e que podem acionar o medo com intensidade estão as chamadas crenças de identidade, isto é, aquelas que criam uma percepção do valor e da estima pessoal. São as que mais sofrimento tem causado ao ser humano. Sob a gerencia de padrões de desvalor e de não merecimento, os sentimentos e pensamentos aprisionam a vida psíquica e emocional no estado de baixa autoestima.

A baixa autoestima é um processo psíquico automático reforçado no período da infância, mas que, na maioria dos espíritos reencarnados na terra, é um diagnóstico construído ao longo de milênios.

Esse estado psíquico e emocional de desamor em relação a si mesmo é um efeito desse apego milenar ao comportamento egoísta. A necessidade compulsiva de elaborar um autoconceito superdimensionado de nós mesmo terminou por trazer um efeito contrário, levando-nos a essa sensação de monos valia e vazio interior. O medo surge exatamente quando assumimos nossas necessidades e tomamos contato com o sombrio dentro de nós, quando reconhecemos as nossa reais e profundas necessidades de buscar a realidade e abandonar essas mascaras tóxicas, que já não servem mais para o prazer e para a realização pessoal.

Desapegar-se das crenças que estruturavam um edifício de ilusões é o mesmo que navegar por um mar revolto, sem rota, sem farol se sem direção.
No Evangelho, a passagem em que Pedro foi convidado por Jesus a andar sobre as águas é um exemplo que ilustra bem esse assunto. Trata-se de um andar incomum em um caminho sem referências e exclusivamente pessoal, pois embora houvesse muitas pessoas naquele momento na praia, só Pedro foi chamado pelo Mestre.

Todos seremos chamados em algum momento a andar sobre aguas, a fazer um trajeto de libertação por caminhos e aprendizados incomuns. Andar sobre as águas vai exigir uma convicção sólida em destemor sem igual: teremos apenas por força de uma leve rajada de vento. O vento da indecisão, da dúvida, da incerteza e da severidade com nós mesmos. Assim como andar sobre as aguas, reciclar nossas próprias verdades atemoriza-nos porque significa trilhar uma jornada pessoal, sem comparação, única. Nesse processo, somos nós e nossa consciência, nós e nosso ser transpessoal que anseia nascer e florescer.

Para tornar esse caminhar menos doloroso e mais consciente, será necessária a descoberta de quais crenças nossos medos indicam. Cada medo pode ser um indicio daquilo que devemos reciclar.

No medo de sofrer, pode estar enraizada a crença de que não merecemos o prazer.

No medo de aproveitar as boas coisas da vida, pode estar gravada a crença de que a vida só tem valor legitimo quando a conquista vem pela dor e pelo sacrifício.

No medo de experimentar romper seus limites, pode abrigar-se a crença do castigo para quem não se conduz conforme os padrões.

No medo de errar, camufla-se a crença de incompetência ou do perfeccionismo.

No medo de competir, pode estra a crença de que temos de ser os melhores.

No medo do desamparo, costuma se esconder a crença de que o amor alheio é mais importante do que o auto amor.

No medo de estabelecer limites, quase sempre está a crença em nossa infalibilidade.

No medo de nossa fragilidade, abriga-se a crença de que temos de dar conta de tudo.

No medo de ser quem somos, quase sempre está a crença de que ser diferente é um mal.

Aquele servo da parábola dos talentos tinha convicção limitadora. Ele preferiu enterrar o talento por que era essa a sua concepção de proteção, de bom uso, ao mesmo tempo em que se submeteu a uma postura de acomodação e de menor esforço. Por conta de suas ilusões, não gerou vida, movimento e não ampliou o raio de sua experiência. Fechou-se em sua concepção, por zelo e cautela.

Nos serviços de aprimoramento espiritual, muitos de nós rendemo-nos a essas concepções temerárias que sutilmente invadem o campo mental com ideias de prudência excessiva e terminam em preguiça, perfeccionismo e fuga.

Diante de tais atitudes, verificamos claramente a presença do egoísmo mais uma vez incensando a ideia de sermos o melhor, quando os serviços do bem e da luz na busca de nosso progresso apenas nos propõem a fazer o melhor que já conseguimos.

A crença lucida e libertadora de quem segue a Jesus é ser alguém melhor hoje do que ontem e dar um passo atrás do outro na busca da aprendizado lento, gradativo e ininterrupto na construção de um home novo em constante aperfeiçoamento.

Referencia, Emoções que Curam. (Série HARMONIA INTERIOR)
Vanderley Oliveira – Ermance Dufauxse-libertar

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